
O engenheiro Rudi Fiorese, preso durante a Operação “Buraco Sem Fim”, já havia sido multado anteriormente pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) por irregularidades em uma obra pública milionária em Campo Grande.
A decisão foi assinada em outubro de 2023 pelo conselheiro Osmar Domingues Jeronymo, relator do processo que analisou o Contrato nº 38/2022, firmado entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e a empresa Orkan Construtora Eireli para reforma do Centro Municipal de Belas Artes.
Conforme informações do TCE-MS, auditorias identificaram grave ilegalidade no procedimento licitatório da Concorrência nº 36/2021, além de falhas na formalização do contrato e na execução financeira da obra, inicialmente orçada em R$ 4 milhões.
Os relatórios técnicos apontaram irregularidades nos estudos técnicos preliminares, problemas em projetos básicos e falhas estruturais na execução do contrapiso da área central do prédio, além de inconsistências em vigas de suporte da cerca externa do complexo cultural.
O Ministério Público de Contas também opinou pela ilegalidade do procedimento e pela irregularidade da execução financeira do contrato. Diante disso, o TCE-MS aplicou multa de 50 Uferms contra Rudi Fiorese, que ocupava o cargo de secretário da Sisep na época.
Conforme informações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada na terça-feira (12), investiga supostas fraudes em contratos de tapa-buraco em Campo Grande.
As investigações são conduzidas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e pela 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público.
Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão. Em um dos imóveis alvos da investigação, os agentes apreenderam R$ 186 mil em dinheiro vivo. Em outro endereço, foram localizados mais R$ 233 mil em espécie.
Segundo o MPMS, a organização investigada teria manipulado medições de serviços de manutenção de vias públicas para permitir pagamentos indevidos, causando prejuízos aos cofres públicos e comprometendo a qualidade do asfaltamento na Capital.
Ainda conforme o órgão, a empresa investigada recebeu cerca de R$ 113,7 milhões em contratos e aditivos entre 2018 e 2025.
Horas após ser alvo da operação, Rudi Fiorese foi exonerado do cargo de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).