
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) realizaram novas ações integradas de Manejo Integrado do Fogo (MIF) no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, com foco na prevenção de incêndios florestais de grandes proporções durante o período de estiagem.
As operações envolveram duas etapas de queima prescrita e manejo controlado do fogo, totalizando mais de mil hectares de áreas trabalhadas dentro da unidade de conservação. Em uma das ações, as equipes aproveitaram um incêndio já existente na região para ampliar, de forma planejada e segura, uma área previamente definida para manejo.
A estratégia tem como objetivo reduzir a biomassa acumulada e diminuir a quantidade de material combustível disponível para alimentar incêndios de grande intensidade nos meses mais secos do ano.
Com pouco mais de 76 mil hectares, o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro já possui um Plano de Manejo Integrado do Fogo e vem recebendo ações preventivas desde 2025. No ano passado, operações semelhantes atingiram aproximadamente mil hectares nas regiões norte e sul da unidade.
A primeira ação deste ano ocorreu após um incêndio registrado no parque. A ocorrência foi monitorada pelo Corpo de Bombeiros, que utilizou o avanço controlado das chamas para eliminar material combustível acumulado na vegetação. A operação contou com apoio da torre de observação instalada no local e do Grupamento de Operações Aéreas (GOA).
Entre os dias 11 e 15 de maio, uma nova etapa foi realizada em uma área de aproximadamente 600 hectares na Fazenda Santa Maria, localizada na região leste do parque. A propriedade fica em uma área considerada estratégica para a prevenção de futuros incêndios devido ao grande acúmulo de vegetação seca durante o período crítico.
Segundo o Imasul e o Corpo de Bombeiros, as ações foram executadas aproveitando uma janela climática favorável provocada pela frente fria que atingiu Mato Grosso do Sul no início de maio, contribuindo para maior controle das operações.
Além dos órgãos públicos, produtores rurais da região participaram dos trabalhos com apoio na abertura de aceiros e implantação de linhas de defesa próximas às áreas manejadas.
De acordo com o diretor-presidente do Imasul, André Borges, o manejo integrado do fogo é uma ferramenta fundamental para reduzir impactos ambientais e proteger áreas sensíveis do Pantanal.
A operação mobilizou cerca de dez bombeiros militares, sete servidores do Imasul, dois pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e colaboradores de propriedades rurais vizinhas ao parque.
Os responsáveis pelo projeto destacam que a técnica permite a utilização do fogo de forma controlada e com baixa intensidade, reduzindo danos à fauna e à flora. Nas áreas manejadas, os animais conseguem se deslocar para locais seguros e a vegetação sofre impactos menores quando comparados aos incêndios de grandes proporções.
A preocupação aumenta em 2026 devido à previsão de influência do fenômeno El Niño, que pode favorecer períodos mais secos e temperaturas elevadas, ampliando os riscos de incêndios florestais no Pantanal sul-mato-grossense.