
O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil. A estratégia é convencer Washington de que um acordo comercial seria mais vantajoso para ambos os países do que a adoção de novas barreiras tarifárias.
A proposta de sobretaxa foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão americano alega que o Brasil mantém práticas consideradas desleais nas relações comerciais com empresas norte-americanas.
Segundo a Agência Brasil, o governo federal avalia que, apesar das dificuldades, ainda existe possibilidade de um entendimento antes da decisão final dos Estados Unidos. O novo prazo estabelecido pelo USTR para definição sobre o tema é 15 de julho.
O Brasil contesta os argumentos utilizados pelos norte-americanos e sustenta que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação bilateral, o que enfraqueceria a justificativa para a aplicação de novas tarifas. O governo também afirma que a tarifa média aplicada aos produtos americanos é de aproximadamente 2,7%, percentual considerado insuficiente para caracterizar prejuízo ao acesso das empresas dos EUA ao mercado brasileiro.
NEGOCIAÇÕES
Entre os desafios enfrentados pelo Brasil está o fato de o governo americano conduzir simultaneamente negociações tarifárias com diversos países. Além disso, os Estados Unidos também concentram esforços em outras questões internacionais, incluindo os recentes conflitos no Oriente Médio.
O governo brasileiro busca limitar as negociações às questões comerciais e tarifárias, evitando ampliar as discussões para outros temas considerados estratégicos pelos norte-americanos. Entre os pontos que o Brasil afirma não estarem em negociação está o sistema de pagamentos Pix.
Nos bastidores, também existe a possibilidade de um novo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante eventos internacionais previstos para este mês, embora ainda não haja confirmação oficial.