
A segunda fase da Operação Leviatã, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, terminou com dois suspeitos mortos em confronto e um preso, em uma ofensiva que busca conter o avanço do Comando Vermelho (CV) e desarticular uma estrutura criminosa ligada a homicídios, tráfico de drogas e disputas armadas com facções rivais.
Conforme informações divulgadas pelas autoridades, a ação foi coordenada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) e pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), com o cumprimento de mandados de prisão e busca nas cidades de Coxim (MS) e Rondonópolis (MT).

Durante a operação, dois investigados morreram após confronto com policiais em território mato-grossense. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos reagiram à abordagem utilizando armas de fogo. Eles chegaram a ser socorridos, mas não resistiram aos ferimentos. Um terceiro alvo foi preso em Coxim.
As investigações apontam que o grupo criminoso atuava na expansão territorial do Comando Vermelho em municípios estratégicos do norte de Mato Grosso do Sul, região que tem registrado episódios de violência relacionados à disputa entre o CV e o PCC (Primeiro Comando da Capital) pelo controle de rotas utilizadas para o tráfico de drogas e armas.
De acordo com a Polícia Civil, integrantes da facção utilizavam armamentos de alto poder de fogo, incluindo pistolas de calibre semelhante às empregadas por forças policiais especializadas. Os suspeitos também são investigados por participação em homicídios e tentativas de assassinato ocorridos nos últimos meses.
Segundo o delegado Roberto Guimarães, que responde interinamente pelo comando do Garras, a ofensiva tem como objetivo impedir que o grupo criminoso consolide uma rota de atuação ligando o norte do Estado à faixa de fronteira com o Paraguai.
As apurações revelaram ainda um modelo de atuação interestadual. Conforme a investigação, integrantes da facção eram enviados para cidades sul-mato-grossenses com a missão de recrutar colaboradores locais, alugar imóveis utilizados como bases operacionais e oferecer suporte logístico para a execução de atentados e outras ações criminosas.
Diante do cenário, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) determinou o reforço do policiamento em municípios da região norte, com o envio de equipes do Batalhão de Choque e do Bope por tempo indeterminado.
A Operação Leviatã integra uma série de ações permanentes das forças de segurança voltadas ao combate ao crime organizado em Mato Grosso do Sul. Além do cumprimento de mandados judiciais, a estratégia busca enfraquecer financeiramente as facções, interromper suas rotas de atuação e reduzir os índices de violência associados às disputas entre grupos criminosos.
As investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.