
O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou na quinta-feira (30) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não sabia que um vídeo produzido com inteligência artificial seria exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou sua candidatura ao Palácio do Planalto.
A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo no canal de Flávio Bolsonaro no YouTube. Segundo o senador, o ex-presidente "não tinha a menor ideia" de que sua imagem seria reproduzida por meio de inteligência artificial durante o evento.
Flávio também negou que a iniciativa tenha violado as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e afirmou que o vídeo não configura uma deepfake ilegal.
"Obviamente, o presidente não tinha a menor ideia de que seria exibido um vídeo feito com inteligência artificial dele na nossa convenção. Não há nada de errado nisso. A resolução do TSE e a legislação dizem, em tese, que durante as eleições não se pode usar inteligência artificial, especialmente deepfakes, para promover mentiras ou produzir conteúdos de apoio ou de ataque a outro candidato", declarou.
Na quarta-feira (29), a defesa de Jair Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem e voz para a produção do vídeo. Os advogados argumentaram que, diante das restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro não teria condições de conceder autorização para a utilização do material.
Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro afirmou que ferramentas de inteligência artificial já são amplamente utilizadas nas redes sociais e questionou a possibilidade de fiscalização desse tipo de conteúdo.
Segundo o senador, o vídeo teve apenas o objetivo de manifestar apoio político e prestar uma homenagem ao ex-presidente, afirmando ainda que ficou emocionado com o material exibido na convenção.
A legalidade do conteúdo será analisada pela Justiça Eleitoral. A ação foi apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e tem como relator o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral.