
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou a semana enfrentando desgastes diplomáticos com Argentina e Paraguai, dois países governados por líderes alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O episódio mais recente envolve o Paraguai, que deve apresentar uma nota oficial ao embaixador brasileiro José Antônio Marcondes de Carvalho após declarações feitas por Lula sobre a Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança.
Segundo o governo paraguaio, as declarações do presidente brasileiro distorcem o contexto histórico do conflito. Durante um evento em São Paulo, Lula afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil em 1864 e utilizou o episódio para defender investimentos na área da defesa nacional.
A reação do governo paraguaio incluiu a convocação do embaixador brasileiro pela chancelaria do país, medida considerada um gesto formal de insatisfação diplomática. O Parlamento paraguaio também aprovou, por unanimidade, uma declaração criticando as falas de Lula e afirmando que elas minimizaram o sofrimento do povo paraguaio durante a guerra.
Especialistas lembram que o conflito é interpretado de forma diferente no Paraguai, onde parte da historiografia considera que a guerra foi consequência da intervenção brasileira no Uruguai e da atuação de Brasil e Argentina no conflito.
Ao mesmo tempo, o Brasil enfrenta um momento de tensão nas relações com a Argentina.
O desgaste começou após o presidente argentino Javier Milei participar da convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Durante o evento, Milei declarou apoio ao candidato e fez críticas ao presidente Lula.
Em resposta, o governo brasileiro convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos. O embaixador brasileiro na Argentina, Júlio Bitelli, também foi chamado temporariamente ao Brasil para consultas com o presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
As tensões diplomáticas ocorrem em um contexto de aproximação entre Argentina e Paraguai com o governo dos Estados Unidos e de divergências políticas entre os governos da região.