
Entre os destaques está o PackSeed – Inovação na Dispersão de Sementes, projeto desenvolvido em parceria com a startup EcoSeed, voltado à recuperação de áreas degradadas de forma mais econômica. À frente do projeto estão Allan Motta Couto, docente da UEMS de Aquidauana, engenheiro florestal e doutor em Tecnologia de Produtos Florestais, e Adriana Soares Luzardo Couto, docente do CEPA (Centro Educacional Profissional de Aquidauana), engenheira florestal, engenheira agrônoma e doutoranda em Agronomia.
Segundo Allan Motta Couto, “nosso protótipo performou bem em escala laboratorial e agora vamos validá-lo em situação real de campo ainda este ano. O projeto não tem como foco principal o sequestro de carbono, mas é inevitável que ele contribua para a fixação de carbono atmosférico.”
Adriana Luzardo Couto acrescenta que “o PackSeed busca viabilizar a recuperação de áreas degradadas de forma acessível, tornando a tecnologia aplicável para produtores e instituições que desejam recuperar solos ou reflorestar suas propriedades.”
Outro projeto estratégico é o uso sustentável do Louro-Preto (Cordia glabrata), desenvolvido em conjunto com a EMBRAPA Pantanal, que atua na produção de mudas, arborização de pastagens e melhoria do bem-estar animal.
“Trabalhamos diferentes densidades arbóreas para avaliar o efeito na pastagem e possibilitar ou não a arborização visando a produção pecuária. O foco não é carbono, mas sim proporcionar clima adequado para melhor desempenho na produção e bem-estar do animal”, explica Couto.
O projeto “Sistema ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) no Ecótono Cerrado-Pantanal” é outro destaque da UEMS, avaliando o potencial produtivo e a captura de carbono em áreas de integração, com ênfase no cultivo de eucalipto em ambientes pecuários.
De acordo com Motta, em um sistema ILPF cujo crescimento florestal chega a 20 m³ por hectare ano, estima-se que haja imobilização de 18 toneladas de CO2 ao ano por hectare, isso considerando apenas o tronco das árvores.
“Ou seja, para cada hectare com o sistema ILPF equivale a emissão de nove carros por ano, aproximadamente”, explica.
Ele acrescenta ainda que a ideia é difundir informação e estimular os produtores, demonstrando que a “integração arbórea na produção de carne é viável e sustentável”, observa o pesquisador da UEMS.
“Na região de Aquidauana, praticamente nenhum produtor utiliza eucalipto ou pastagem arborizada para produção de pecuária. Nosso experimento busca mudar essa mentalidade, mostrando que o componente arbóreo pode gerar benefícios ambientais e produtivos.”
Outro ponto relevante é que a produção pecuária apresenta muita emissão de gases do efeito estufa. Estes são mitigados pelas árvores do próprio sistema de produção, tornando a atividade com menor potencial poluidor.
Entre 2022 e 2024, a engenheira agrônoma Larissa Pereira Ribeiro Teodoro, da UFMS, participou de um estudo financiado pela Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) que avaliou a contribuição das florestas plantadas de eucalipto para a meta do Governo de MS de neutralidade de carbono até 2030.
Segundo Larissa Teodoro, após dois anos de pesquisa, realizados em diferentes usos e ocupações do solo nos três biomas do Estado - Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica -, comprovou-se que a cultura do eucalipto apresenta menor emissão de dióxido de carbono (CO₂) pelo solo quando comparada a outros sistemas de cultivo avaliados, como pastagens. Além disso, a espécie demonstrou altos valores de estoque de carbono no solo.
“Este resultado é relevante para estratégias que unem economia e sustentabilidade no Estado, pois evidencia que a silvicultura pode funcionar como um sistema de produção com menor emissão de carbono. Uma estratégia ainda mais eficiente seria o cultivo de eucalipto em sistemas integrados, como pecuária-floresta, que promovem, além da sustentabilidade, maior diversidade de produção e melhor bem-estar animal”, explica a engenheira.
Ela salienta que “o avanço da silvicultura no Estado tende a contribuir não apenas para a economia, mas também para que alcancemos a meta de Estado Carbono Neutro. Entretanto, a estratégia mais interessante é a adoção de sistemas integrados, como a pecuária-floresta, que combinam produção e preservação ambiental de forma eficaz”.
Segundo informações da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), cinco dos dez municípios brasileiros com maiores áreas de florestas plantadas no Brasil estão no Mato Grosso do Sul.
Para o ano de 2025, esses cinco municípios, Ribas do Rio Pardo (463 mil hec), Três Lagoas (331 mil hec), Água Clara (182 mil hec), Brasilândia (151 mil hec) e Selvíria (110 mil hec) juntos somam mais de 1 milhão de hectares de florestas plantadas (SIGA/MS), o que configura o Mato Grosso do Sul como o segundo colocado nacional em área de florestas plantadas.