
O Sistema Único de Saúde (SUS) começará a oferecer a partir de junho uma nova vacina contra a doença pneumocócica. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20) substituirá a atual versão 10-valente, ampliando significativamente a proteção contra a bactéria pneumococo.
A mudança foi anunciada pelo Ministério da Saúde, que publicou um guia técnico preliminar orientando profissionais da área sobre a transição. Os municípios poderão iniciar a aplicação assim que receberem as novas doses.
A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae e pode provocar desde infecções mais leves, como sinusite e otite, até quadros graves como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o pneumococo é responsável por até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com taxa de mortalidade próxima de 30% nesses casos.
A vacina pneumocócica 10-valente foi incorporada ao calendário infantil em 2010 e contribuiu para uma redução expressiva dos casos graves. Desde então, houve queda de 60% das doenças causadas pelos sorotipos cobertos pelo imunizante e redução de 65% dos casos de meningite pneumocócica em crianças de até dois anos.
Apesar dos avanços, especialistas observam que outros tipos da bactéria passaram a circular com maior frequência nos últimos anos. Dados da vigilância epidemiológica apontam que quase 40% dos casos graves registrados entre 2018 e 2023 foram provocados por sorotipos que não estavam contemplados na vacina anterior, mas que passam a ser cobertos pela nova formulação.
Além de ampliar a proteção individual, a VPC20 também contribui para reduzir a circulação da bactéria na população, diminuindo a transmissão e oferecendo proteção indireta a pessoas não vacinadas.
O calendário vacinal seguirá prevendo duas doses para bebês, aos 2 e 4 meses de idade, além de uma dose de reforço aos 12 meses. Durante o período de transição, algumas crianças poderão receber doses das duas versões da vacina, conforme a etapa do esquema vacinal já iniciada.
A nova vacina também substituirá gradualmente outros imunizantes pneumocócicos atualmente utilizados em grupos de risco específicos, como pessoas com HIV, pacientes oncológicos, transplantados, diabéticos, portadores de doenças crônicas e prematuros.
O Ministério da Saúde orienta que crianças menores de 5 anos com vacinação atrasada procurem uma unidade de saúde para atualizar a carteira vacinal.