
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (14/06) para Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7, fórum que reúne algumas das principais economias industrializadas do mundo. A viagem ocorre em meio a dois temas sensíveis para o governo brasileiro: a ameaça de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e o veto da União Europeia à importação de determinados produtos de origem animal do Brasil.
Esta será a décima participação de Lula no encontro ao longo dos seus três mandatos. Integram o G7 Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, além da União Europeia como membro institucional.
Um dos principais focos da viagem é a relação com os Estados Unidos. O governo brasileiro acompanha com preocupação a investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que indicou a possibilidade de aplicar tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras.
O relatório norte-americano cita supostas práticas comerciais desleais do Brasil e menciona, entre outros pontos, o sistema Pix, sob a alegação de que ele prejudicaria empresas estadunidenses do setor de pagamentos eletrônicos.
Até o momento, não há confirmação de um encontro bilateral entre Lula e o presidente Donald Trump durante a cúpula. Caso aconteça, será a primeira conversa entre os dois líderes após a recente escalada das tensões comerciais e da decisão dos Estados Unidos de classificarem formalmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras.
Outro tema que deve movimentar os bastidores do G7 envolve a União Europeia. O bloco confirmou a decisão de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos como carnes, tripas, peixes e mel para os países europeus. A medida deverá entrar em vigor a partir de 3 de setembro.
O governo brasileiro demonstrou preocupação com a decisão, especialmente porque o anúncio ocorre pouco tempo após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Segundo o Itamaraty, ainda não há definição sobre uma eventual reunião entre Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Entre os compromissos já confirmados está uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. O encontro pode abrir espaço para futuras negociações comerciais entre o Japão e o Mercosul.
Durante a programação oficial do G7, Lula participará de sessões voltadas ao desenvolvimento internacional e ao crescimento econômico equilibrado.
No dia 16, o presidente deverá defender a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento, mecanismo de apoio financeiro dos países mais ricos às nações em desenvolvimento.
Já no dia 17, Lula pretende reforçar a necessidade de reformas na governança global, defendendo mudanças em instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
A agenda inclui ainda um almoço de trabalho dedicado ao debate sobre Inteligência Artificial, tema que vem ganhando espaço nas discussões internacionais sobre inovação, ética e regulação tecnológica.