
O inverno no Hemisfério Sul começou oficialmente às 5h24 deste domingo (21) e seguirá até o dia 22 de setembro, quando terá início a primavera. Conhecida por registrar temperaturas mais baixas e dias mais curtos, a estação deste ano deverá apresentar características diferentes em diversas regiões do Brasil devido à influência do fenômeno El Niño.
O início do fenômeno climático foi confirmado pela Agência Nacional dos Oceanos e da Atmosfera dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas da região equatorial do Oceano Pacífico e costuma provocar alterações significativas nos padrões climáticos em várias partes do mundo.
Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Melquizedek Rafael Duarte da Silva, a tendência é de um inverno menos rigoroso, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
"A gente pode não ter um inverno tão frio quanto a gente já teve", explicou o especialista.
De acordo com o meteorologista, o El Niño cria bloqueios atmosféricos que dificultam o avanço das frentes frias sobre parte do país, favorecendo temperaturas mais elevadas nessas regiões.
Além do aumento das temperaturas, o fenômeno também poderá intensificar as chuvas na Região Sul, elevando o risco de ocorrência de eventos extremos, com precipitações intensas em curtos períodos.
Especialistas destacam ainda que as mudanças climáticas globais têm tornado as previsões meteorológicas de longo prazo cada vez mais complexas. Fenômenos como ondas de calor, períodos de estiagem e chuvas intensas têm apresentado maior duração e comportamento menos previsível.
Por ser um país de grande extensão territorial, o Brasil também sente os efeitos do inverno de formas diferentes. Enquanto municípios localizados no extremo Sul registram dias mais curtos e temperaturas mais baixas, cidades próximas à Linha do Equador apresentam pouca variação ao longo do ano.