
Faltando poucos dias para as convenções partidárias, o Partido Liberal (PL) intensifica as negociações para ampliar sua base de apoio nas eleições presidenciais. A principal aposta da legenda é a influência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para aproximar o Republicanos da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que a relação construída entre Tarcísio e o Republicanos em São Paulo pode favorecer um entendimento nacional entre as duas legendas. O governador disputa a reeleição no maior colégio eleitoral do país e é considerado um dos principais ativos políticos do partido.
Apesar da expectativa, o acordo ainda enfrenta obstáculos. Há cerca de dez dias, o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, descartou publicamente uma aliança nacional com o PL e negou que tenha condicionado eventual apoio à indicação de um ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Outro fator que pesa nas negociações é a composição interna do Republicanos. O partido ocupou três ministérios no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e parte significativa de seus filiados demonstra resistência a uma aliança nacional com o PL.
Em alguns estados, as divergências regionais também dificultam o avanço das conversas. No Mato Grosso, PL e Republicanos defendem pré-candidaturas diferentes ao governo estadual. Situação semelhante ocorre em Roraima, onde as duas legendas estiveram em lados opostos durante uma eleição suplementar realizada recentemente.
Por outro lado, em Minas Gerais e no Espírito Santo, as negociações caminham para um entendimento. Em Minas, o PL deve apoiar o senador Cleitinho (Republicanos) na disputa pelo governo estadual. Já no Espírito Santo, a tendência é de apoio do Republicanos à candidatura de Maguinha Malta (PL), enquanto o partido de Flávio Bolsonaro deverá apoiar o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), ao governo capixaba.
Além da composição política, o tempo de propaganda eleitoral é considerado um dos principais motivos para o interesse do PL na aliança. Caso o Republicanos integre oficialmente a coligação, Flávio Bolsonaro passará a contar com 5 minutos e 16 segundos de propaganda diária em rádio e televisão. Sem esse apoio, o tempo cairia para 4 minutos e 20 segundos. No cenário oposto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria vantagem na divisão do horário eleitoral.
Integrantes do PL avaliam que a propaganda eleitoral poderá reduzir a diferença nas pesquisas de intenção de voto, repetindo, segundo eles, movimentos observados em campanhas anteriores.
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada na última semana, Lula aparece com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%.
Outra negociação considerada estratégica envolve a federação União-Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP). Apesar de alianças regionais, como em São Paulo, lideranças da federação defendem neutralidade na disputa presidencial para preservar as campanhas de candidatos ao Congresso, especialmente em estados do Nordeste, onde Lula mantém vantagem nas pesquisas.
Fonte: Metrópoles.