
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) rejeitou, por unanimidade, na terça-feira (21/07), o recurso apresentado pelo ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), que buscava reverter a perda do mandato e recuperar o foro por prerrogativa de função. Com a decisão, permanecem os efeitos da cassação e o ex-parlamentar continua alvo de um mandado de prisão expedido no âmbito da investigação sobre a exploração do jogo do bicho no Estado.
O julgamento acompanhou o voto do relator, juiz Fernando Duque Estrada. A decisão foi unânime entre os magistrados presentes. O presidente do TRE-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar, não participou da sessão por ser apontado como impedido no processo.
O mandado de segurança foi apresentado pelo diretório estadual do Partido Liberal (PL) e por Neno Razuk. A ação tentava suspender a retotalização dos votos das eleições estaduais de 2022, realizada após a anulação dos 10.782 votos obtidos por Raquelle Trutis para deputada estadual.
Raquelle Trutis e o ex-deputado federal Loester Trutis tiveram condenação definitiva por gastos ilícitos de campanha. Com a anulação dos votos, a Justiça Eleitoral refez a totalização, alterando a composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Com a nova contagem, Neno Razuk perdeu a vaga de deputado estadual, que passou a ser ocupada por João César Mattogrosso (PSDB), empossado na Assembleia Legislativa em 26 de maio deste ano.
Sem o mandato, o ex-parlamentar perdeu o foro privilegiado. Posteriormente, a Justiça expediu mandado de prisão contra ele no âmbito da Operação Successione, que investiga uma suposta organização criminosa ligada à exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Até o momento, Neno Razuk não se apresentou às autoridades e é considerado foragido.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Além de Neno Razuk, foram denunciados o ex-deputado Roberto Razuk, pai do ex-parlamentar, e os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
Segundo o MPMS, o grupo seria responsável por comandar uma organização criminosa voltada à exploração ilegal de jogos de azar, com atuação envolvendo, entre outros crimes investigados, corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para manter o controle da atividade ilícita no Estado.
Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas na quarta fase da Operação Successione. O Ministério Público também pede a condenação dos investigados ao pagamento de R$ 36 milhões por danos relacionados aos crimes apurados.
Em janeiro de 2026, a 4ª Vara Criminal de Campo Grande recebeu a denúncia apresentada pelo MPMS, dando prosseguimento à ação penal.
Fonte: MidiaMax