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Mensagens e áudios indicam lista de propina do PCC para delegacias de SP

Investigação do Ministério Público aponta que operadores financeiros da facção discutiam supostos pagamentos para proteger esquema de lavagem de dinheiro.

Por: Redação 24h News MS
22/07/2026 às 07h00
Mensagens e áudios indicam lista de propina do PCC para delegacias de SP
Operação Janus investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC e conversas que mencionam pagamentos de propina a delegacias da Polícia Civil de São Paulo. (Foto: Reprodução/Google Maps)

Mensagens e áudios obtidos durante as investigações da Operação Janus apontam que operadores financeiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) discutiam supostos pagamentos de propina a delegacias da Polícia Civil de São Paulo. As conversas, citadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), indicam que os repasses teriam como objetivo proteger um esquema de lavagem de dinheiro atribuído à facção criminosa.

A Operação Janus foi deflagrada pelo MPSP na terça-feira (21/07) para desarticular uma rede suspeita de movimentar recursos ilícitos por meio de um "banco paralelo", utilizado para ocultar a origem de valores provenientes do crime organizado. Até o momento, 11 suspeitos foram presos.

Segundo a investigação, conversas entre Bruno Ramos Fernandes, apontado como responsável por viabilizar a circulação dos recursos financeiros do esquema, e Robson Martins de Souza, considerado um dos principais operadores da organização, fazem referência a pagamentos destinados ao 13º Distrito Policial (Casa Verde), ao 39º Distrito Policial (Vila Gustavo), ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e a uma Delegacia Seccional da zona norte da capital paulista.

Os investigadores afirmam que os envolvidos utilizavam um código para ocultar os valores negociados. Conforme o Ministério Público, o grupo retirava o último dígito das quantias mencionadas nas mensagens, fazendo referência, por exemplo, a pagamentos equivalentes a R$ 7,5 mil e R$ 15 mil.

Em outra troca de mensagens, Bruno Ramos Fernandes recebeu a determinação de separar R$ 50 mil para, segundo a investigação, realizar pagamento destinado a policiais.

Áudios anexados ao procedimento também mostram Cléber Azevedo dos Santos, apontado como um dos principais operadores financeiros do esquema, solicitando a liberação de R$ 100 mil para um suposto pagamento envolvendo o Deic.

Em outra gravação analisada pelo Ministério Público, Cléber relata a um dos investigados que policiais da divisão de crimes cibernéticos do Deic estariam exigindo R$ 300 mil em um caso envolvendo outro integrante do grupo. As alegações fazem parte do material apreendido durante a investigação e ainda são objeto de apuração.

Procurada pela reportagem do Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que ainda não havia se manifestado sobre o conteúdo das investigações até a publicação da reportagem.

De acordo com o Ministério Público, os operadores financeiros recebiam dinheiro proveniente de atividades criminosas e devolviam os recursos por meio de transferências bancárias realizadas por empresas de fachada, estratégia utilizada para ocultar a origem ilícita dos valores.

Ao todo, a Operação Janus cumpre 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. Até o momento, 11 investigados foram presos e cinco permanecem foragidos.

Outro elemento reunido pela investigação mostra uma conversa entre Cléber Azevedo e o doleiro Raphael Flores Rodriguez, conhecido como "Batata". Em uma mensagem enviada junto a uma fotografia do interior do Deic, Raphael ironiza a unidade policial ao afirmar que o local funcionaria como um "banco", em referência aos supostos pagamentos investigados pelo Ministério Público.

Raphael Flores Rodriguez havia sido preso pela Polícia Federal durante a segunda fase da Operação Narco Azimut, que investiga crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele também foi condenado, em 2020, em processo relacionado à Operação Lava Jato por envolvimento em esquema de envio de recursos ao exterior.

As investigações continuam para esclarecer a eventual participação de agentes públicos e identificar todos os envolvidos no suposto esquema.

Fonte: Metrópoles.

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