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“Imposto do pecado” deve render R$ 41,9 bilhões em 2027, veja o que será taxado

Cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, veículos, mineração e apostas estão entre os produtos e atividades atingidos pelo novo tributo

Por: Redação 24h News MS
31/08/2026 às 11h59
“Imposto do pecado” deve render R$ 41,9 bilhões em 2027, veja o que será taxado
Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”, começará a ser cobrado em 2027 e poderá arrecadar R$ 41,9 bilhões. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Criado pela reforma tributária, o Imposto Seletivo (IS), conhecido popularmente como “imposto do pecado”, deverá arrecadar R$ 41,9 bilhões em 2027. A estimativa consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado nesta segunda-feira (31/08) ao Congresso Nacional.

O novo tributo será cobrado sobre produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. A lista inclui cigarros e outros produtos de tabaco, bebidas alcoólicas, refrigerantes e bebidas açucaradas, determinados veículos, extração de bens minerais, loterias, apostas e fantasy sports.

A cobrança está prevista para começar em 2027. As regras específicas do Imposto Seletivo, entretanto, ainda precisam passar pelo Congresso Nacional.

O QUE SERÁ TAXADO

Entre os produtos e atividades previstos para receber a cobrança estão:

  • Cigarros e outros produtos de tabaco
  • Bebidas alcoólicas
  • Refrigerantes e outras bebidas açucaradas
  • Veículos, conforme características e emissão de poluentes
  • Extração de bens minerais
  • Loterias e apostas
  • Bets e fantasy sports

Segundo o Ministério da Fazenda, durante a transição, a estratégia é manter uma carga tributária próxima da atualmente aplicada a determinados produtos. Posteriormente, as alíquotas poderão ser elevadas como instrumento para desestimular o consumo de itens considerados nocivos.

Ao apresentar as projeções do Orçamento de 2027, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que a estimativa procura preservar inicialmente a carga incidente sobre setores atualmente alcançados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Nas apostas, a situação será diferente, já que as bets não são tributadas pelo IPI. Segundo Durigan, o governo pretende encontrar uma alíquota que não seja baixa a ponto de perder efeito, nem elevada a ponto de estimular a migração de empresas para o mercado ilegal.

IMPACTO NA SAÚDE

O governo também utiliza os custos associados ao consumo desses produtos como argumento para a criação do Imposto Seletivo.

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde apontam que estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimou em R$ 18,8 bilhões os custos relacionados ao consumo de álcool em 2019. Desse total, R$ 1,1 bilhão correspondeu a despesas federais diretas com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no SUS.

Em relação ao tabagismo, doenças associadas ao consumo de cigarros representam custos anuais estimados em R$ 153,5 bilhões, considerando despesas diretas e perdas de produtividade.

Já as doenças relacionadas ao consumo de bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes, representam custo estimado de R$ 3 bilhões ao SUS.

NOVOS TRIBUTOS

O Imposto Seletivo faz parte do novo sistema de tributação sobre o consumo criado pela reforma tributária, cuja implantação será gradual até 2033.

Em 2027, o IS passará a coexistir com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá PIS, Cofins e parte do IPI.

Para a CBS, o governo estima uma arrecadação de R$ 636 bilhões em 2027. Somado aos R$ 41,9 bilhões previstos com o Imposto Seletivo, os dois tributos poderão alcançar R$ 677,9 bilhões em arrecadação.

SETORES FAZEM CRÍTICAS

Representantes de setores que serão atingidos pelo novo imposto argumentam que produtos como cigarros e bebidas alcoólicas já enfrentam elevada carga tributária no país.

Entre as preocupações estão possíveis aumentos de preços, redução das margens das empresas, demissões e crescimento do mercado ilegal caso as alíquotas sejam consideradas excessivas.

O governo sustenta que o Imposto Seletivo terá duas funções, arrecadar recursos e desestimular o consumo de produtos e atividades com impactos negativos sobre a saúde e o meio ambiente.

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