
Uma iniciativa nascida dentro do Parlamento Jovem levou estudantes, educadores, psicólogos e representantes do poder público à Câmara Municipal de Três Lagoas na noite de quarta-feira (02/09). O seminário, realizado durante a campanha Setembro Amarelo, colocou a saúde mental no ambiente escolar no centro das discussões.
A mobilização começou com um pedido da jovem vereadora Hávila Silva, aluna da Escola Estadual Edwards Corrêa. A proposta foi acolhida pelo presidente da Câmara, vereador Tonhão, responsável por formalizar a realização do encontro.
Ao abrir o seminário, Tonhão destacou o protagonismo juvenil na construção da agenda. Segundo ele, foi a solicitação de Hávila que possibilitou reunir especialistas e autoridades para discutir um assunto considerado sensível e urgente.
Em seu pronunciamento, a estudante relatou a dor enfrentada pela comunidade escolar após a perda de um aluno. A experiência serviu de ponto de partida para uma cobrança direta por mais políticas de acolhimento, prevenção e acompanhamento dos jovens.
“Dizem que somos o futuro da nossa sociedade, mas eu não quero mais ver jovens perderem suas vidas. Se for assim, como será o futuro da nossa cidade?”, questionou Hávila.
A fala da estudante direcionou o seminário para além da conscientização. Durante o encontro, os participantes discutiram como escolas, famílias, serviços de saúde e órgãos públicos podem identificar sinais de sofrimento e construir redes permanentes de proteção.
O técnico do Sest Senat Jorge Fachini apresentou o projeto Proteção e abordou diferentes formas de violência sofridas por crianças e adolescentes. Em seguida, o coordenador da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), Igor Queiroz Paez, explicou como está estruturado o atendimento disponível em Três Lagoas.
A psicóloga Andrea Cardoso chamou a atenção para a necessidade de compreender a história existente por trás de mudanças de comportamento. Segundo ela, conflitos, perdas, medos e dificuldades para expressar sentimentos podem permanecer escondidos quando não existe espaço seguro para diálogo.
Andrea também ressaltou que o sofrimento suicida pode estar relacionado ao desejo de interromper uma dor percebida como insuportável. Para a profissional, reconhecer essa condição exige responsabilidade, acolhimento e encaminhamento para atendimento especializado.
O papel da família foi abordado pela psicóloga do Ambulatório de Saúde Mental Jordana Barbosa. Ela defendeu uma presença mais ativa dos responsáveis na formação dos filhos, inclusive na definição de limites.
“O não também é uma forma de amor. Primeiro é preciso ser pai e mãe; depois, amigo dos seus filhos”, afirmou.
Presidente do Parlamento Jovem, Mariana Tiago declarou que o grupo pretende manter a saúde mental entre suas pautas prioritárias. Também participaram do encontro os jovens vereadores Miguel Nogueira e o suplente Miguel Pereira, além do vereador Fernando Jurado.
Representando o Executivo municipal, a secretária de Educação, Angela Brito, reforçou que escutar exige atenção e envolvimento. Ao encerrar o seminário, ela destacou a coragem de Hávila ao transformar uma experiência dolorosa em proposta de ação coletiva.
A programação também contou com representantes da Educação, Assistência Social, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, escolas estaduais e municipais e organizações da sociedade civil.
A gravação completa do seminário está disponível no canal da Câmara de Três Lagoas no YouTube.
Pessoas em sofrimento emocional podem procurar os serviços municipais de saúde ou conversar gratuitamente com o Centro de Valorização da Vida pelo telefone 188, disponível 24 horas. Em situações de emergência, a orientação é acionar o Samu pelo 192.