
Quase metade das famílias de Mato Grosso do Sul já é chefiada por mulheres, que também estão à frente de 42% das empresas do Estado. Os números mostram o avanço da presença feminina tanto dentro de casa quanto no mercado de trabalho, em um cenário no qual autonomia financeira, empreendedorismo e proteção contra a violência ganham espaço no debate público.
O governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, relaciona esse crescimento à necessidade de criar condições para que as mulheres possam trabalhar, estudar e empreender sem carregar sozinhas responsabilidades familiares que, historicamente, recaem principalmente sobre elas.
“Quem é que aguentaria uma jornada tripla, às vezes, quádrupla, todo santo dia? Em muitos lares, a responsabilidade inteira está na mão das mulheres”, afirmou.
Entre as iniciativas destacadas pelo governador estão o Vale Creche, a ampliação das escolas de tempo integral e programas de qualificação profissional. A proposta é fazer com que o avanço feminino no mercado de trabalho seja acompanhado por uma rede capaz de reduzir parte da sobrecarga enfrentada pelas mulheres.
MORADIA E RENDA
A autonomia feminina também passa pelo acesso à moradia. A diretora-presidente da Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab-MS), Maria do Carmo Avesani, destaca que muitas mulheres são responsáveis sozinhas pelo sustento dos filhos.
“As mulheres que sustentam seus filhos, muitas são mulheres chefes de família”, afirmou.
Segundo ela, garantir habitação adequada também contribui para consolidar outras políticas públicas e oferecer maior estabilidade às famílias.
A presença feminina avança ainda em setores historicamente ocupados por homens. A secretária especial de Parcerias Estratégicas, Eliane Detoni, cita a infraestrutura como exemplo dessa transformação.
“Hoje, na área de infraestrutura, que predominantemente sempre foi uma área muito masculina, eu acho que a gente evoluiu muito”, afirmou.
EMPREENDEDORISMO FEMININO
No mercado privado, o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul também tem aberto novos espaços.
A diretora técnica do Sebrae-MS, Sandra Amarilha, destaca o empreendedorismo como uma das ferramentas para ampliar a independência financeira. Atualmente, 35 instituições, com participação do Governo do Estado, atuam conjuntamente para fomentar um ambiente de negócios mais favorável às mulheres.
“O empreendedorismo feminino é uma ferramenta poderosa de autonomia”, resumiu.
A senadora Tereza Cristina também destacou o avanço da representação feminina e afirmou que o desenvolvimento do Estado passa pela participação das mulheres nos diferentes setores da sociedade.
PROTEÇÃO COMEÇA NO PEDIDO DE AJUDA
Apesar do crescimento da participação feminina na economia, a violência doméstica permanece como um dos principais desafios.
Riedel afirmou que cada feminicídio representa uma falha de toda a rede responsável pela proteção da mulher.
“Sempre que um feminicídio acontece, significa que toda a rede de proteção falhou. O município, o Estado, o Governo Federal e o Judiciário”, declarou.
A delegada Fernanda Barros defende que a resposta do poder público seja imediata quando a vítima procura ajuda.
“A mulher, quando procura a delegacia, que geralmente é o local onde ela procura o seu primeiro atendimento, precisa se sentir protegida e ser verdadeiramente protegida”, afirmou.
RECOMEÇO PARA VÍTIMAS
Entre as ações voltadas às mulheres em situação de violência está o programa Recomeço.
De acordo com a secretária de Estado Patrícia Cozzolino, mulheres acolhidas em casas-abrigo por estarem sob risco de morte recebem atendimento psicológico e médico, enquanto os filhos têm acesso à escola e acompanhamento pedagógico.
A proposta é permitir que a família reconstrua a vida longe do agressor. A mulher escolhe um imóvel, recebe auxílio do Estado na locação e o programa paga um salário mínimo mensal durante um ano.
“A ideia é que essa família verdadeiramente quebre o ciclo da violência”, explicou Cozzolino.
“TOLERÂNCIA É ZERO”
Riedel também defende medidas diretamente contra os autores da violência.
“A primeira é meter a tornozeleira no pé do agressor. A tolerância é zero”, afirmou.
Segundo o governador, cerca de 80% das agressões e abusos acontecem dentro de casa ou no ambiente familiar, o que exige novas estratégias de prevenção e acompanhamento.
Além do monitoramento dos agressores, Riedel defende que o enfrentamento à violência, ao preconceito e à desigualdade seja levado para dentro das escolas.
“Cada vez que uma mulher desiste de estudar ou trabalhar, presenciamos uma injustiça que não dá para normalizar”, afirmou.
O crescimento da participação feminina na economia, nas empresas e na chefia das famílias revela uma transformação em andamento em Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, amplia o desafio de garantir condições para que autonomia financeira, trabalho e empreendedorismo sejam acompanhados por acesso à moradia, educação, redes de cuidado e proteção efetiva contra a violência.