
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a aliados que pretende procurar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, nos próximos dias. Segundo auxiliares ouvidos pelo Metrópoles, Lula quer discutir com o magistrado possíveis caminhos diante da crise interna na Corte envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
A intenção foi relatada após a sessão de terça-feira (15/09), quando o Supremo discutiu duas petições relacionadas ao Caso Master. O julgamento foi suspenso após o ministro Flávio Dino pedir vista.
Segundo o próprio STF, o Plenário ainda não analisou o mérito das petições. No momento da suspensão, os ministros discutiam uma questão de ordem sobre a possibilidade de julgamento conjunto dos dois casos e eventual mudança de relatoria.
Uma das petições tem origem em relatório da Polícia Federal produzido a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, com supostos diálogos relacionados a Alexandre de Moraes. A outra se baseia em relatório de inteligência da PF que sugere possíveis irregularidades na condução do Caso Master pelo ministro André Mendonça.
LULA QUER CONVERSAR COM FACHIN
De acordo com a apuração da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, Lula avaliou reservadamente a sessão de forma negativa e disse a auxiliares que pretende conversar com Fachin para saber como o presidente do STF pretende lidar com a situação.
Segundo os mesmos relatos, Lula também considera procurar Flávio Dino para tratar da devolução do pedido de vista. Essa informação é atribuída aos auxiliares do presidente ouvidos pela publicação.
Nesta quarta-feira (16/09), durante entrevista ao podcast Desce a Letra Show, Lula também fez uma cobrança pública a Fachin. O presidente afirmou que o chefe do Supremo tem responsabilidade institucional diante da situação e defendeu que os conflitos na Corte não prejudiquem o processo eleitoral.
JULGAMENTO ESTÁ SUSPENSO
A sessão de terça-feira terminou sem decisão definitiva. Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e André Mendonça haviam se manifestado contra a reunião das duas petições. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram pela tramitação conjunta. Dino pediu vista antes da conclusão.
O STF ressaltou que a discussão realizada até então não tratava da responsabilidade penal dos ministros e que nenhuma conclusão sobre os elementos reunidos nas petições havia sido tomada.