
A expansão da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul tem provocado impactos que vão além dos parques fabris e já transforma a economia de diversos municípios da Costa Leste. O crescimento do setor vem impulsionando principalmente a hotelaria, que registrou forte expansão nos últimos anos para atender à demanda gerada pelos grandes empreendimentos florestais e industriais instalados na região.
Dados do Observatório do Turismo de Mato Grosso do Sul apontam que a oferta de meios de hospedagem na Costa Leste cresceu 55% desde 2019. O avanço acompanha a consolidação da região como uma das principais fronteiras de desenvolvimento industrial do país, impulsionada por empresas como Suzano, Eldorado Brasil, Arauco, Bracell, Valmet e Andritz.
O reflexo mais recente desse movimento foi registrado em Três Lagoas durante a parada geral programada da Suzano, realizada entre abril e maio deste ano para manutenção e modernização das unidades industriais. No período, a ocupação hoteleira atingiu 100%, transformando a cidade em uma espécie de alta temporada fora do calendário turístico tradicional.
A mobilização envolveu aproximadamente 2,3 mil trabalhadores e cerca de 120 empresas prestadoras de serviços especializadas. Profissionais de diversas regiões do país ocuparam hotéis, pousadas, alojamentos e estruturas temporárias, movimentando significativamente a economia local.
Segundo estimativas da Prefeitura de Três Lagoas, a parada industrial deverá injetar cerca de R$ 350 milhões na economia do município, beneficiando setores como hospedagem, alimentação, transporte, comércio e prestação de serviços.
Em 2019, os municípios de Aparecida do Taboado, Bataguassu, Inocência, Paranaíba, Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas somavam 20 estabelecimentos hoteleiros e 2.209 leitos. Em 2026, o número passou para 31 meios de hospedagem e 3.152 leitos, representando crescimento de 55% no total de empreendimentos e aumento de quase 43% na capacidade de hospedagem.
Três Lagoas lidera esse cenário, concentrando mais da metade da estrutura regional, com 18 hotéis e aproximadamente 2.552 leitos formais. Mesmo assim, durante períodos de manutenção industrial, a capacidade instalada chega ao limite.
Além da hotelaria, restaurantes, supermercados, postos de combustíveis, locadoras de veículos, lavanderias e empresas de transporte também registram aumento expressivo na demanda. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Antônio Gomes Júnior, destaca que as paradas industriais já fazem parte do calendário econômico da cidade, gerando impactos semelhantes aos de grandes eventos.
O crescimento da hotelaria acompanha ainda uma nova fase de investimentos na Costa Leste. Além das fábricas já instaladas, municípios como Ribas do Rio Pardo e Inocência vivem ciclos históricos de desenvolvimento impulsionados por projetos bilionários. Empresas globais como Valmet e Andritz também ampliam a presença na região, incluindo projetos voltados à manutenção e ao suporte técnico das plantas industriais.
O cenário reforça uma tendência que se consolida ano após ano. À medida que a produção de celulose cresce, também avança uma nova economia baseada em serviços, geração de empregos e oportunidades para toda a Costa Leste de Mato Grosso do Sul.