
O governo dos Estados Unidos anunciou uma proposta para aplicar tarifas adicionais sobre produtos importados de 60 países, incluindo o Brasil. A medida foi divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e ainda passará por consulta pública antes de uma decisão definitiva.
Segundo o governo norte-americano, a proposta está relacionada a investigações sobre supostas falhas de diversos países no combate ao comércio de produtos fabricados com trabalho forçado. Para o Brasil e outros 44 países analisados, a tarifa adicional sugerida é de 12,5%. Já para um grupo menor de países, como Canadá, União Europeia e México, a proposta prevê taxa de 10%.
A iniciativa faz parte de investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo utilizado pelo governo americano para avaliar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país.
A nova proposta surge apenas um dia após o USTR também anunciar outra medida que prevê uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, resultado de uma investigação separada envolvendo temas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix, e outras práticas comerciais brasileiras.
Ainda não está definido se as tarifas poderão ser acumuladas ou aplicadas simultaneamente. O processo agora seguirá para consulta pública, com prazo para manifestações até o início de julho e audiência prevista para o dia 7 de julho. A decisão final caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O USTR informou que alguns produtos estratégicos poderão ficar fora das novas tarifas, entre eles carne bovina, café, terras raras, determinados metais, produtos farmacêuticos, fertilizantes e peças de aeronaves.
A proposta aumenta a tensão comercial entre Brasília e Washington e pode afetar importantes setores exportadores brasileiros caso as medidas sejam efetivamente implementadas.