
O Aeroporto Municipal Plínio Alarcon, em Três Lagoas, poderá receber uma nova concessão ainda em 2026 e contar com R$ 117,2 milhões em investimentos para modernização da estrutura. A medida abre uma perspectiva para a retomada dos voos comerciais no município, que está há 17 meses sem operações regulares de passageiros.
O terminal foi incluído em um pacote federal formado pelo Aeroporto Internacional de Brasília e outras nove unidades regionais, que deverão passar ao controle de uma nova operadora.
A expectativa é de que a modernização amplie a capacidade operacional do aeroporto, permita receber aeronaves comerciais maiores e crie condições para a retomada dos voos regulares.
O projeto foi autorizado pelo Tribunal de Contas da União em abril deste ano, dentro de uma reestruturação consensual da concessão do aeroporto de Brasília.
Em Mato Grosso do Sul, também foram incluídos os aeroportos de Bonito e Dourados. Outros terminais localizados na Bahia, Goiás, Mato Grosso e Paraná também fazem parte do pacote.
O investimento reservado para Três Lagoas é o maior entre os três aeroportos sul-mato-grossenses incluídos na proposta. Entre todas as unidades regionais abrangidas, fica atrás apenas de Barreiras, na Bahia.
Segundo o Tribunal de Contas da União, as intervenções deverão melhorar a segurança, a capacidade e a qualidade dos serviços oferecidos pelos terminais.
A previsão para dezembro de 2026 está relacionada à realização do processo competitivo que definirá a nova controladora da concessão. Isso significa que os R$ 117,2 milhões não deverão ser totalmente aplicados até o final deste ano.
Depois da assinatura do contrato, as obras poderão levar até 36 meses nas áreas destinadas ao atendimento de passageiros e até 60 meses na infraestrutura operacional. O cronograma dependerá do processo de concessão e dos projetos necessários para cada aeroporto.
A mudança de gestão representa uma perspectiva de recuperação do terminal, mas ainda não estabelece uma data para o retorno dos voos comerciais.
Mesmo depois das adequações, caberá às companhias aéreas avaliar a abertura das rotas. As empresas consideram demanda de passageiros, custos operacionais, disponibilidade de aeronaves e viabilidade financeira antes de incluir um município em suas malhas.
A Azul encerrou em 10 de março de 2025 a única ligação comercial regular disponível em Três Lagoas, que conectava o município ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.
Na ocasião, a empresa relacionou a decisão ao aumento dos custos operacionais, à valorização do dólar, às dificuldades enfrentadas pela cadeia mundial de suprimentos e à reorganização de sua malha aérea.
A suspensão encerrou uma operação iniciada em janeiro de 2014. Nos primeiros meses, a cidade chegou a contar com duas frequências diárias, realizadas por aeronaves ATR 72-600, com capacidade para 70 passageiros.
Entre janeiro e outubro daquele ano, foram contabilizados 82.268 embarques e desembarques. Em determinados meses, a movimentação ficou acima de 8 mil passageiros, conforme levantamento divulgado pela Prefeitura.
A quantidade de frequências foi reduzida gradualmente nos anos seguintes até restar apenas a conexão com Campinas. Desde a retirada dessa rota, Três Lagoas não voltou a receber linhas regulares de passageiros.
O aeroporto, no entanto, não está completamente fechado. A estrutura permanece disponível para operações autorizadas da aviação geral e executiva, de acordo com os registros do Departamento de Controle do Espaço Aéreo.
Em recente entrevista concedida ao Grupo RCN, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Antônio Gomes Júnior, disse que a falta de operação comercial no aeroporto é um dos principais obstáculos enfrentados atualmente pelo município na área de infraestrutura.
Sem voos regulares, moradores e profissionais que trabalham na cidade precisam recorrer principalmente aos aeroportos de Araçatuba (SP) ou Campo Grande.
A alternativa acrescenta deslocamentos rodoviários, combustível, pedágios e, dependendo do horário do voo, despesas com hospedagem.
Não existe uma estimativa oficial do prejuízo financeiro provocado pela suspensão das operações. Os reflexos, porém, aparecem no custo das viagens corporativas, na dificuldade para receber investidores e no tempo gasto por executivos, fornecedores e profissionais especializados para chegar ao município.
A situação ganha ainda mais relevância diante do perfil econômico de Três Lagoas, que reúne indústrias de grande porte e mantém relações comerciais com diferentes regiões do Brasil e outros países.
O Aeroporto Plínio Alarcon possui pista asfaltada com 2 mil metros de comprimento e 30 metros de largura. Para ampliar a capacidade e receber novas operações comerciais, entretanto, a estrutura necessita de melhorias técnicas e operacionais.
Em 2024, o Governo do Estado e a Prefeitura firmaram um convênio de R$ 6,3 milhões destinado à recuperação do pavimento, à renovação da sinalização e a ajustes no pátio e na pista de taxiamento.
O projeto também previa a readequação do balizamento luminoso e a instalação de equipamentos de auxílio ao pouso.
Os recursos da futura concessão poderão ampliar esse processo e criar condições para a operação de aviões com maior capacidade. Para que os voos retornem, contudo, ainda serão necessárias a execução das obras, as autorizações dos órgãos reguladores e a confirmação de interesse de alguma companhia aérea.
A paralisação dos voos comerciais ocorre enquanto Três Lagoas atravessa um novo ciclo de investimentos. O município acompanha a retomada das obras da fábrica de fertilizantes UFN3 e busca atrair empresas dos setores químico, florestal, logístico e de materiais para a construção civil.
A conectividade aérea é considerada importante para facilitar a chegada de dirigentes empresariais, equipes técnicas, investidores e profissionais qualificados.
Também pode fortalecer o turismo de negócios e ampliar a capacidade da cidade de sediar feiras, congressos e eventos corporativos.