
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar supostas fraudes em descontos indevidos nos benefícios do INSS já atingiu o número de assinaturas necessárias para ser instalada no Congresso Nacional. A iniciativa ganhou força com o apoio de nove parlamentares de Mato Grosso do Sul, sendo seis deputados federais e três senadores.
Entre os apoiadores sul-mato-grossenses estão os deputados Geraldo Resende, Beto Pereira, Dagoberto Nogueira, Dr. Luiz Ovando, Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira, além dos senadores Tereza Cristina, Soraya Thronicke e Nelsinho Trad. Apenas os deputados Vander Loubet e Camila Jara, ambos do PT, não assinaram o requerimento — Camila está em recuperação de cirurgia.
Até esta quarta-feira (14), o requerimento contava com 223 assinaturas de deputados e 36 de senadores, superando o número mínimo exigido pela Constituição. Agora, a pressão é para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, coloque o requerimento em pauta, contornando o bloqueio do presidente da Câmara, Hugo Motta, que alega excesso de pedidos na fila.
A CPMI é proposta pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pela deputada Coronel Fernanda (PL-MT) e tem objetivo político declarado: desgastar o governo Lula às vésperas da eleição de 2026. A estratégia inclui a convocação de Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados), entidade mencionada pela CGU e Polícia Federal em supostas cobranças indevidas nos benefícios do INSS.
Segundo o sindicato, Frei Chico não exerce funções administrativas e não é alvo de investigação. Mesmo assim, a oposição afirma que ele deve ser o primeiro a ser ouvido, devido à representatividade da entidade no caso. Também devem ser convocados Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência, e Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, ambos citados em relatório da PF.
As fraudes investigadas somam R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, tendo início no governo Temer, passando pelo governo Bolsonaro, e seguindo no atual governo Lula, com a maioria dos descontos concentrados nos anos de 2023 e 2024.
O deputado Geraldo Resende (PSDB-MS) defendeu a investigação com firmeza:
“Se há parentes de autoridades envolvidos, é ainda mais necessária uma investigação. Doa a quem doer.”
Já o deputado Beto Pereira (PSDB-MS) afirmou que a CPMI é o caminho legítimo para apurar responsabilidades e buscar a devolução de recursos desviados.
Uma reunião entre líderes da oposição e o presidente do Senado está marcada para a próxima segunda-feira (20). A expectativa é que o requerimento seja lido em plenário no dia 27, dando início oficial aos trabalhos da CPMI.