
Depois de três décadas sob administração da iniciativa privada, a concessão da Malha Oeste chega oficialmente ao fim nesta terça-feira (30), abrindo caminho para um novo processo de concessão da ferrovia, considerado estratégico para a logística de Mato Grosso do Sul e previsto para ocorrer ainda este ano.
O contrato em vigor foi firmado em julho de 1996, tornando a Malha Oeste a primeira ferrovia da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) a ser privatizada. Ao longo dos anos, porém, o corredor ferroviário perdeu competitividade, teve sua infraestrutura degradada e, atualmente, encontra-se sem operação.
Agora, o Governo Federal trabalha na estruturação de um novo modelo de concessão para recuperar a capacidade logística da ferrovia e atrair investimentos privados. A expectativa é que o leilão seja realizado entre os meses de outubro e dezembro.
Com aproximadamente 1,9 mil quilômetros de extensão, a Malha Oeste é considerada um dos principais corredores ferroviários do Centro-Oeste. A proposta em análise prevê cerca de R$ 29 bilhões em investimentos ao longo do contrato, além de R$ 3,6 bilhões em recursos públicos destinados à recuperação dos trechos mais deteriorados.
Antes da publicação do edital, o projeto ainda passará pela análise do Tribunal de Contas da União (TCU). Paralelamente, a Infra S.A. conduz os estudos para definir a indenização referente à devolução da concessão atualmente administrada pela Rumo, que questiona parte dos valores na Justiça.
A reestruturação da Malha Oeste é vista como uma das principais apostas para ampliar a competitividade logística de Mato Grosso do Sul.
O corredor ferroviário atende importantes regiões produtoras do Estado, especialmente o polo de mineração de Corumbá e o Vale da Celulose, onde Três Lagoas concentra um dos maiores parques industriais do setor no mundo.
Pelo projeto em desenvolvimento, o eixo principal da nova concessão abrangerá cerca de 1.625 quilômetros entre Corumbá (MS) e Mairinque (SP), fortalecendo o escoamento da produção rumo aos portos e aos grandes centros consumidores.
Outro trecho considerado estratégico é o ramal entre Campo Grande e Ponta Porã. Inicialmente fora da proposta, ele voltou a integrar os estudos após solicitação do Governo de Mato Grosso do Sul. Sua recuperação, entretanto, dependerá da estratégia adotada pela futura concessionária.

Além da recuperação física da ferrovia, um dos principais desafios do novo modelo será tornar o empreendimento economicamente atrativo.
Nos últimos meses, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) intensificou a apresentação do projeto a investidores nacionais e estrangeiros, incluindo um roadshow realizado na China, com apoio da ApexBrasil, em busca de grupos interessados na concessão.
A expectativa é que a revitalização da Malha Oeste reduza custos logísticos, aumente a competitividade da produção sul-mato-grossense e fortaleça a integração entre Mato Grosso do Sul, São Paulo e os mercados internacionais.
Criada no início do século passado como Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, a Malha Oeste desempenhou papel fundamental na integração da região Centro-Oeste ao restante do país.
O transporte de passageiros foi encerrado em 1993 e o transporte de cargas deixou de operar no fim de 2025. O novo projeto de concessão não prevê a retomada do transporte ferroviário de passageiros.